July 4, 2010

Muito boa a ideia.

July 3, 2010
July 2, 2010

Certo estava o Milan da década de 90. Tomar gol não é problema, desde que você faça mais.

June 29, 2010

… e ai, será que o soccer, o esporte que mais gera dinheiro pelo mundo, vai finalmente se tornar um esporte popular também nos EUA?

.. o Dwight Howard, outro astro da NBA, patrocinado pela Adidas, já fica um pouco diferente a coisa… Ao que parece, Nike e Adidas querem que o futebol, ou soccer, se popularize pelos EUA a qualquer custo.

Tá, que o Kobe Bryant, astro da NBA e patrocinado pela Nike, diga em público que apoia a seleção brasileira, ok, dá para entender… mas…

June 27, 2010

O Google anunciou sua Google TV. Preparem-se, canais de televisão, para o maior impacto que já sofreram. 

Em primeiro lugar, o que é o Google TV? Em linhas gerais, um computador com conexão à internet acoplado à televisão, ou mesmo vendido já dentro do aparelho de televisão, oferecendo conteúdo de vídeo através do que se chama IPTV.

Antes de detalhar melhor o que, acredito, deverá ocorrer nos próximos anos, é preciso esclarecer: a disputa que deverá se acirrar não é entre determinados canais e o Google. A disputa será entre dois modelo distintos: o modelo produção/distribuição clássico, existente há cerca de 50 anos, e o modelo produção/distribuição IPTV, desenvolvido nos últimos anos.

O modelo clássico

E como funciona o modelo clássico de televisão? Basicamente, dividido em duas grandes camadas: a (i) produção e a (ii) distribuição de conteúdo.

Para ficar mais claro. Até pouco tempo atrás, Globo, Record, SBT etc, produziam conteúdo e faziam sua distribuição por ondas de rádio emitidas por eles mesmos. O conteúdo chegava às casas via ar, através das antenas de TV.

Quem controlava a distribuição, nesta época, era o governo, através das concessões de canais, ou frequências de ondas. E como o governo não era assim tão independente, o controle da produção e da distribuição ficava nas mãos de poucos grupos.

A receita nesta época estava associada exclusivamente à produção: comerciais inseridos nos programas produzidos.

Com a chegada das televisões por assinatura (a cabo ou via satélite), os “canais” (Globo, SBT, Record, Bandeirantes etc) continuaram a produzir o conteúdo, mas a distribuição passou para as empresas de televisão por assinatura. 

Mas a distribuição é importante demais no modelo televisivo para não ficar sob o controle das produtoras de conteúdo. Por duas razões: (i) porque gera receitas com as assinaturas e (ii) porque quem controla a distribuição controla o que chegará às telas nas casas dos clientes.

Por esta razão, a Globo, o maior produtor de conteúdo na televisão brasileira, comprou, ou entrou com participações, nas empresas de televisão por assinatura. Não por acaso detém 51% da Net e 24% da Sky+DirecTV. E não à toa Rupert Murdoch, magnata das telecoms nos EUA e dono de diversos canais, detém o resto da Sky+DirecTV. 

A receita com assinaturas é relativamente transparente e pode ser mensurada de forma objetiva. Mas o poder de controlar o que entra ou não na grade de canais, ou qual será o número do canal, é mais difícil de ser detectado.

Entretanto, casos não faltam. Exemplo clássico do exercício do poder da distribuição apareceu na disputa entre Record e Globo quando da inclusão do canal Record News na grade das empresas de televisão por assinatura controladas ou sob forte influência da Globo.

Durante os últimos anos, as empresas produtoras de conteúdo focaram-se na chamada TV Digital, lançada no Brasil no ano passado, após investimento de milhões de reais. O objetivo imediato era o de oferecer televisão com alta-definição e interatividade (apesar de inda não cumprir o prometido). Mas por trás desse objetivo estava também o de livrar as produtoras de conteúdo das empresas distribuidoras. Como o envio da TV Digital é feito via ar e o número de canais restrito, sua adoção representaria uma volta ao período de auge de alguns poucos canais.

O modelo IPTV

Enquanto as produtoras de conteúdo - os “canais” - disputavam os modelos de distribuição, na internet o caminho adotado foi diferente.

Sem controle centralizado, tudo pode ser oferecido através da internet. Inclusive vídeos. Focados em nichos ou abertos e abrangentes. Profissionais ou amadores.

O modelo IPTV, entretanto, tem dois problemas principais: (i) largura de banda, pois vídeos de boa qualidade exigem a transferência muito rápida de informações e (ii) dificuldade de uso tanto na integração com televisores quanto na localização de conteúdo se comparado aos canais de televisão.

Sim, curiosamente uma das maiores vantagens da internet - a ausência de controle centralizado - é também uma de suas falhas. Se na televisão clássica sabemos que o Canal X é especializado em tal conteúdo, e que seu número na grade de programação é Y, fica fácil o assistir. Na internet, entretanto, a cada dia novos canais podem surgir e desaparecer, em endereço diferentes, produzidos por autores diferentes.

Estes dois problemas, entretanto, estão sendo resolvidos. Com relação à banda de internet, hoje a banda larga disponível em grandes centros já permite a transmissão de vídeos inclusive em FullHD. No que toca à organização, esta foi melhorando com a criação de websites especializados na oferta de vídeos, como o YouTube, e no desenvolvimento de novos modelos de indexação de conteúdo em tempo real.

O Google

O Google está se movimentando para oferecer televisão no modelo IPTV há alguns anos. O primeiro passo foi a aquisição do YouTube, o mais popular site de armazenamento e distribuição de vídeos da internet. Como já dissemos acima, em paralelo à evolução da banda larga, o YouTube passou a permitir a exibição de vídeos com a mesma qualidade de nossa tão debatida TV Digital, ou seja, FullHD. O primeiro problema, relacionado à qualidade dos vídeos, parece que está sendo superado rapidamente.

Mas ainda restava o problema da organização, indexação e localização de conteúdo. E neste aspecto o Google também não ficou parado. Sua mais importante inovação neste sentido é seu novo modelo de índice em tempo real chamado Caffeine. Se antes a indexação de conteúdo disponibilizado na internet era lenta e quase estática, mais parecida com a indexação de uma biblioteca, agora, com o Caffeine, o Google promete indexar também o que está acontecendo a cada momento pela internet, inclusive vídeos.

Televisão clássica x IPTV/Google TV

O modelo IPTV não é uma novidade. Hoje em dia já é possível assistir IPTV em casa com cerca de 2 mil reais. É o que se gasta para a montagem de um computador especializado chamado de media center, mais os cabos para a ligação entre o computador e a televisão. Por menos do que isso algumas empresas já vendem computadores preparados para serem ligados aos aparelhos de televisão.

A grande novidade agora não é a disputa entre o modelo televisão clássica e a IPTV, mas sim o fato de o Google ter entrado oficialmente na briga, oferecendo equipamentos a baixo custo (o preço de uma TV preparada para o Google TV não deve ser mais do que U$ 100,00 mais caro do que uma TV convencional) e organização do conteúdo existente na internet, inclusive de vídeos em tempo real.

Vamos comparar os dois modelos para deduzirmos qual deve levar vantagem:

1. Qualidade dos vídeosa) TV clássica: pode chegar a Full HD (1080 linhas na vertical). Mais do que isso seria preciso mudanças nos protocolos de transmissão;b) IPTV: não há limites para a resolução, considerando que os softwares que fazem a interpretação dos vídeos podem ser facilmente atualizados para valores maiores do que 1080. As limitações ficam por conta dos televisores;

2. Interatividadea) TV clássica: quando for interativa de verdade, será ainda bastante restrita. Exemplos de interatividade são compras de vídeo determinados, compra de um ou outro produto exibido etc;b) IPTV: por se tratar de um computador que navega na internet, a interatividade é absolutamente ilimitada. Sim, imagine qualquer tipo de interatividade, e ele poderá ser incluído no modelo IPTV;

3. Quantidade de canaisa) TV clássica: limitada, na TV Digital, ao espectro disponível. Ilimitada, nas televisões por assinatura, aos interesses dos controladores;b) IPTV: absolutamente ilimitada. Qualquer canal pode ser transmitido pela internet, de Globo, Record, STB, AXN até o canal produzido pelo seu vizinho contando a vida de seu novo cachorro de estimação.

Apenas por tais aspectos já é possível ter uma ideia de qual modelo deve vingar nas próximas décadas.

O impacto nos canais clássicos

Mas se a Google TV vai entrar apenas como um novo meio de distribuição de conteúdo, e não de produção, então os canais clássicos não devem se preocupar, correto? O canal de televisão feito pelo meu vizinho, mostrando a vida de seu novo cãozinho de estimação não vai roubar audiência da novela das 8, correto?

Errado.

Os canais clássicos precisam se preocupar, sim, e muito. Por dois aspectos principais.

1. Concorrência

Quando falamos que na IPTV o número de canais será ilimitado, queremos dizer que será realmente ilimitado. E com isso, é grande a chance de que produtores de conteúdos focados em nichos ganhem espaço na audiência. E com isso roubem audiência genérica (como a das novelas). É fácil pensar em uma dezena de canais voltados para jogos de video-games, para desenhos japoneses, para seriados alternativos etc, e isso, mesmo que em pequena escala, acaba roubando audiência dos grandes canais.

Além disso, outros canais com boa qualidade de conteúdo deverão surgir. O canal do vizinho - aquele do cãozinho - com certeza terá uma audiência muito pequena. Mas e quando as produtoras - como a O2 Filmes, Margarida Flores e Filmes, Mixer etc - descobrirem que poderão chegar às casas dos brasileiros sem precisar vender seu conteúdo para um canal? Nesse momento o jogo começará a mudar sensivelmente. 

Mas por que as produtoras passariam a disponibilizar seu conteúdo diretamente via Google TV ao invés de fazer a venda para um canal de TV? Simples: porque isso dará mais dinheiro. E ai vem o segundo ponto.

2. Venda de propaganda

Há quem pense que o Google é a maior empresa de indexação da internet do Planeta. Não estão errados. Há quem veja o Google como uma das marcas mais conhecidas atualmente. Também não estão errados.

Mas o que pouca gente sabe é que o Google é hoje a maior vendedora de propagandas do mundo. Sim, com seus links patrocinados nas buscas (Google AdWords) e seu projeto AdSense (que insere propaganda em blogs e sites em troca de um pagamento para seus proprietários), o Google é a empresa que mais gera receitas a partir da venda de propagandas.

Se hoje a fonte de receitas dos canais é baseada na venda de propagandas, e se a venda de propagandas é baseada na audiência, então, com o Google TV, quando o Google controlar a indexação (logo, a audiência) e a inclusão de propagandas (inclusive permitindo a inclusão de ilimitados canais), é de se esperar uma grande mudança na forma como a televisão de hoje produz conteúdo e receitas.

Conclusão

O modelo IPTV não é novo, mas caba de ganhar um novo e gigantesco player, o Google TV. Esse novo cenário prevê o surgimento ilimitado de canais, produzido por amadores ou por profissionais.

Também é preciso atentar para o fato de que o Google não é apenas uma empresa de indexação de conteúdo, mas sim, e principalmente, uma empresa de venda de publicidade e propaganda. E que sua receita, com a Google TV, virá de propaganda. Isso com certeza gerará conflitos com os canais tradicionais.

Além disso, é preciso notar que o Google, tradicionalmente, estimula usuários a produzir conteúdo, inclusive com apoio financeiro (vide AdSense). Se o Google ganha com a venda de publicidade e propaganda, ele precisa que usuários produzam conteúdo. É de se esperar, portanto, que o Google estimule, com forte apoio financeiro, que produtoras menores passem a disponibilizar suas produções via Google TV. Isso também vai de encontro aos interesses canais clássicos.

As mudanças não ocorrerão no curtíssimo prazo. Mas em alguns anos, talvez em uma década, com certeza o mercado de produção e distribuição de televisão estará bastante modificado, principalmente se os canais de televisão não perceberem o que está acontecendo.

June 25, 2010
June 24, 2010
E-Learning Brasil no Hotel Renaissance, em São Paulo.

E-Learning Brasil no Hotel Renaissance, em São Paulo.

Informatização dos Sistemas Jurídicos e os Protocolos de Comunicação

Resumo

A informatização dos tribunais brasileiros tem sido feita sem o planejamento necessário. Os tribunais não estabeleceram um protocolo de comunicação único, o que faz com que seus sistemas sejam incompatíveis e não se falem. Com a criação do Conselho Nacional de Justiça, com competência para regulamentar procedimentos administrativos dos tribunais, espera-se que tal problema seja resolvido.

I. Introdução

A sociedade contemporânea é baseada em normas. Não necessariamente jurídicas, mas também de normas éticas ou subjetivas, e de normas sociais ou intersubjetivas.

As normas sociais são aquelas que a própria sociedade impõe, são as que existem entre os sujeitos para a organização da vida em conjunto.

Existem normas também no mundo da informática. Normalmente chamadas de normas técnicas, protocolos ou padrões, tais regras definem como os computadores ou os softwares devem funcionar para produzirem os resultados esperados.

1. Informatização

Tema muito em voga nos últimos anos é a informatização de sistemas voltados para o meio jurídico, seja relativa ao setor público - como o Poder Judiciário -, seja com relação ao setor privado - como os escritórios de advocacia -, seja, ainda, tangente aos serviços privados de interesse público - como os cartórios extrajudiciais.

Muito se espera das vantagens advindas da informatização - e muito se gasta com isso -, sem que até hoje tenha sido possível tirar os melhores proveitos que tal processo poderia oferecer. E a razão é simples: falta de protocolos e padronizações.

2. Computadores

Computadores nada mais são do que máquinas de calcular muito velozes com uma diferença básica: são programáveis e reprogramáveis. Este é o conceito clássico que originou os computadores: máquinas que automaticamente fizessem muitos cálculos em alta velocidade e que pudessem ter seu funcionamento alterado sem ser necessário reconstruir as mesmas. Foram criados, originalmente, para tentar quebrar a criptografia utilizada durante a Segunda Guerra Mundial, que estava em constante alteração e evolução.

Entretanto, com o avanço da informática, os computadores tiveram que dispor de mais duas características, presentes em seu conceito atual:

1. Capacidade de armazenar dados e os acessar posteriormente, inclusive em meios externos, como disquetes, CD-ROMs, etc;

2. Aptidão para trocar informações com outros computadores.

Para poder cumprir com todos os três quesitos citados (reprogramação, armazenamento e comunicação), foram elaboradas regras que deveriam ser seguidas por todos os fabricantes, ou pelo menos por aqueles que desejassem que seus produtos trocassem informações com os demais produtos existentes no mercado.

Assim, padrões foram estabelecidos para inúmeras características físicas ou lógicas dos computadores atuais, tais como: formato e tamanho dos disquetes e CD-ROMs, tipos de slots (“tomadas”) para os acessórios, como armazenar dados em um disco-rígido, como enviar dados por uma rede, etc.

Mas a criação de padrões não impediu a existência, e até mesmo o sucesso, de empresas que adotaram padrões próprios. A vantagem de se adotar um padrão próprio é que se torna possível especializá-lo. Tal efeito pode ser visto nos computadores Macintosh, que não seguem todos os padrões definidos para os computadores pessoais (PCs) e limitam sua compatibilidade, mas em contrapartida são considerados os melhores para tratamento de imagens e são os preferidos dos publicitários.

Porém, em uma área específica a padronização precisaria existir, ser sólida e bem difundida: a de comunicação em redes. Sem um padrão de comunicação os computadores simplesmente não se “falariam” e uma das maiores vantagens da informatização não existiria. A própria Internet existe apenas porque tais padrões foram estabelecidos com base nos “protocolos”.

3. Protocolos

Protocolo é uma palavra constante entre todos os usuários da internet, mesmo que nem sempre se perceba isso. Basta uma lida com um pouco de atenção a endereços de sites ou textos de ajuda relativos à configuração de um programa de e-mail, por exemplo, para se encontrar diversas referências aos protocolos.

Todo programa de navegação pela Internet exibe, quando se acessa um site, os seguintes caracteres: “http://”, que querem dizer Hyper Text Transfer Protocol - HTTP. Igualmente, quando se configura um programa de e-mail é necessário informar os servidores “POP3” e “SMTP”, respectivamente Post Office Protocol e Simple Mail Transport Protocol. Transferências de arquivos comumente são realizadas por meio do File Transfer Protocol, ou FTP.

O que tais programas estão mostrando quando utilizam essas siglas que incluem o “p” de protocol é que eles estão falando em determinado idioma, um protocolo de regras pré-estabelecidas que permitem que todos os computadores envolvidos na comunicação se entendam.

O início da definição dos protocolos utilizados atualmente data de cerca de 40 anos atrás, com o TCP, ou Transfer Control Protocol. O TCP é utilizado até os dias atuais como base das comunicações na Internet, chamado de TCP/IP, ou Transfer Control Protocol/Internet Protocol.

Existem inúmeros protocolos relativos aos sistemas informatizados, como por exemplos os métodos de criptografia a serem utilizados em uma comunicação segura; a forma de elaboração de uma página web para que o programa que vai interpretar seu conteúdo o faça conforme o planejado, entre vários outros.

4. Camadas de protocolos

Uma das características mais importantes da padronização das normas de comunicação entre os computadores é sua separação em camadas e a possibilidade de realização de combinações.

Se um determinado padrão for bem conhecido e documentado, então torna-se possível elaborar um novo protocolo sobre o mesmo, mais específico para determinada função a ser utilizado em conjunto, de forma sobreposta, com o primeiro.

Antes de citar um exemplo prático utilizaremos uma pequena analogia para ilustrar a independência e a sobreposição de camadas de protocolos. Nosso exemplo se baseará na comunicação postal tradicional, que prevê algumas regras:

1. Endereçamento: a primeira coisa que se precisa saber para o envio de uma correspondência é o endereço e o CEP do destinatário. Alguém previamente definiu que na Rua X, do número 1 ao 199, lado ímpar, o CEP seria 12.345-678. No nosso exemplo isso foi realizado pelos Correios, o responsável pela definição das regras de endereçamento.

2. Entrega: a segunda regra que deve ser seguida é o preenchimento correto do envelope. É necessário colocar, na frente e ao centro, o endereço do destinatário, e no verso, na parte inferior, o endereço do remetente. Isso para facilitar a leitura do envelope por qualquer operário dos Correios, em qualquer agência. A regra de entrega dos envelopes também foi definida pelos Correios. 

3. Informações: as duas primeiras regras dizem respeito ao transporte da informação, e não à informação em si. É preciso definir, então, a terceira camada, que consiste na escolha de um idioma em que o remetente e o destinatário irão se comunicar. As regras gramaticais do idioma a ser utilizado são definidas pela evolução natural da língua, e de tempos em tempos consolidadas pelos gramáticos.

Para uma simples comunicação postal foi necessário seguir três protocolos distintos e independentes: um que trata do uso de ruas, CEPs (endereçamento), outro sobre como preparar um envelope (entrega) e um terceiro relativo ao idioma de comunicação (informações).

Os protocolos seguidos são independentes porque se pode utilizar as regras de endereçamento não apenas para o envio de correspondências, mas também para se informar a um taxista o destino de uma corrida. Da mesma forma com o idioma escolhido para a comunicação: ele poderia ser utilizado para uma troca de correspondências ou para uma chamada telefônica.

O funcionamento da Internet não é diferente, ou seja, a comunicação entre os computadores na rede, assim como na analogia supra, também é realizada com a combinação de protocolos. Os protocolos de endereçamento e transporte (tal qual o CEP e o preenchimento dos envelopes) são o TCP/IP, o idioma em que se troca a informação pode ser o HTTP (para páginas web), ou SMTP e POP3 (para e-mails), etc. Sobre tais protocolos agregam-se outros.

É importante notar que os protocolos de informática são especializados e segmentados, não se ocupando do que não é de sua responsabilidade. Por exemplo, o TCP/IP não se preocupa com o formato da informação trocada entre os computadores. Ele se ocupa apenas de fazer com que a informação, qualquer que seja ela, chegue ao seu destinatário. Já um protocolo que cuida do formato da informação, como o HTTP, não se preocupa em chegar ao destinatário .Esta é uma responsabilidade do TCP/IP.

Essa divisão em camadas complementares e independentes propicia a especialização de grupos de pesquisadores e o desenvolvimento autônomo de cada uma delas. Uma falha encontrada em uma camada pode ser corrigida ou uma melhoria introduzida sem que todos os outros níveis tenham que realizar alterações em seus protocolos próprios.

5. Publicação dos protocolos

Para que o sistema de protocolos funcione adequadamente é preciso que eles sejam amplamente debatidos e estudados antes que uma versão seja considerada efetivamente utilizável, ou, nos termos técnicos, esteja “madura” ou “em produção”.

Também é importante que os padrões dos protocolos sejam publicizados o mais possível, de forma a garantir o uso do mesmo por todos os interessados.

Muitos dos protocolos existentes adotam o sistema chamado de RFCs, ou Releases For Comments, que consiste na liberação da documentação do protocolo em desenvolvimento para comentários públicos. Essa é talvez uma das mais consolidadas formas de desenvolvimento colaborativo, tendo sido utilizada para a definição de quase todos os protocolos citados anteriormente.

Normalmente esses RFCs são consolidados em um site, sendo o mais comum o do Internet Engineering Task Force -http://www.ietf.org/rfc.html
. Neste endereço é possível encontrar a documentação do TCP/IP (rfc793), HTTP (rfc2616), SMTP (rfc821), e diversos outros.

6. Vantagens do uso de protocolos

Uma das vantagens mais claras obtidas com a adoção de protocolos é que eles impõem a padronização de um formato de comunicação. Uma sociedade cuja pretensão é basear-se na informação precisa desse tipo de norma.

Outra vantagem é que qualquer interessado no desenvolvimento de softwares pode entrar com facilidade no mercado, já que toda a documentação necessária está disponível. Aumenta-se, assim, a existência potencial de livre-concorrência na área que se utilizar de protocolos públicos.

A citada livre-concorrência, associada à possibilidade de colaborações voluntárias na melhoria de determinado protocolo, faz com que o custo total dos softwares tenda a ser inferior em tal sistema.

7. Linguagens de marcação e a padronização das comunicações

Uma das grandes tendências das tecnologias de comunicação mais modernas é a adoção de padrões de comunicação baseados em linguagens de marcação, como o XML - eXtensible Markup Language.

O XML é um padrão para o desenvolvimento de novos padrões, todo baseado em texto, facilitando seu uso nos mais diversos tipos de computadores. Com o XML é possível criar “esquemas” de comunicação que podem ser lidos por qualquer outro sistema, bastando o desenvolvimento de aplicações relativamente simples.

Mas uma das maiores vantagens da adoção do XML com esquemas de dados públicos é que sistemas diferentes, que não se falam, podem passar a trocar informações de forma automatizada, com pequenos investimentos.

A comunicação baseada em XML se dá da seguinte forma: os envolvidos, que têm sistemas diferentes mas com informações semelhantes - situação que ocorre no Judiciário brasileiro - acordam em definir um esquema de comunicação. Por exemplo, definem que, para uma consulta, os seguintes campos serão enviados: nome a ser pesquisado, CPF, tipo de ação, etc. Define-se também como será a resposta: número de processos encontrados, número do processo, vara, etc.

Definidos os campos que serão utilizados, o próximo passo é a documentação dos formatos de troca de dados. É um trabalho técnico, mas que demanda a participação muito próxima de pessoas com formação jurídica.

Por fim, depois que a documentação foi feita, ela deve ser publicada para que interessados possam ter acesso.

8. Informatização do Poder Judiciário Brasileiro

O Poder Judiciário no Brasil se fundamenta, entre outros princípios, na autonomia dos tribunais. Não há qualquer hierarquia entre as justiças estaduais e a justiça federal, assim como não há também ingerência administrativa dos tribunais superiores nos demais.

A autonomia dos tribunais, se por um lado apresenta muitas vantagens, por outro traz também alguns resultados negativos. Um deles é que cada tribunal desenvolveu seu próprio padrão de gestão de processos. Apesar de se utilizarem basicamente das mesmas informações, cada tribunal tem o seu software, sua forma de armazenar os processos e de trocar informações. Não houve definição nem mesmo de padrões de comunicação entre tais sistemas. O mesmo efeito ocorre nos poderes Legislativo e Executivo.

O Poder Executivo, entretanto, através do Ministério do Planejamento, já deu seus primeiros passos rumo à definição de padrões para o desenvolvimento de sistemas. Há cerca de 2 anos foi iniciado um projeto pioneiro no País para estabelecer padrões de comunicação entre os atores públicos: o e-Ping - Padrões de Interoperabilidade de Governo Eletrônico (disponível em: http://www.governoeletronico.gov.br
).

O e-Ping ficou disponível para sugestões por quase um ano, até que foi consolidado na versão 1.0 no início de 2005. Trata-se de um importante documento de referência sobre os padrões que deverão, gradualmente, ser adotados para o desenvolvimento tecnológico da Administração Pública. Espera-se que, em alguns anos, ele seja considerado obrigatório para o Poder Executivo.

A adoção do XML como padrão de comunicação, conforme recomendado acima, com a utilização de middlewares - computadores que ficam no meio do caminho da comunicação para fazer o direcionamento e a entrega dos arquivos - é o modelo recomendado pelo e-Ping.

Em razão da independência do Poder Judiciário, o desenvolvimento de documentação semelhante não foi realizado. Entretanto, o Projeto Justiça Sem Papel já vem recomendando a adoção de uma documentação semelhante pelo Poder Judiciário, talvez até mesmo do próprio e-Ping, há bastante tempo.

Mas nos últimos meses o cenário do Poder Judiciário no Brasil mudou radicalmente. Talvez ainda não tenha gerado efeitos perceptíveis para a população em geral, mas mudanças profundas estão em pleno curso.

Uma delas foi a criação do Conselho Nacional de Justiça, com competência para definir normas gerais para os tribunais do País. O CNJ, presidido pelo Ministro Nelson Jobim, também presidente do Supremo Tribunal Federal, criou comissões para avaliar diversas características dos tribunais brasileiros, dentre elas uma para a Informatização.

Na última reunião da Comissão de Informática do Conselho nacional de Justiça foi discutida justamente tal questão: como fazer os tribunais trocarem informações de forma simples e sem grandes custos, como os da migração de sistemas.

O Justiça Sem Papel apresentou sua proposta para a adoção de padrões de intercomunicação com o uso de XMLs e demonstrou a existência de projetos de sucesso baseados em tal solução.

Os projetos citados como referência de interoperação de sistemas foram o Sistema de Pagamentos Brasileiros (que interligou bancos privados com o Banco Central, sem a necessidade de se alterar os sistemas de todos os bancos), o SISCOMEX (projeto do Ministério do Desenvolvimento para a interligação dos sistemas utilizados nos controle aduaneiros) e o projeto de interligação de cartórios extrajudiciais da ANOREG/BR e ANOREG/SP (para a realização de pesquisas conjuntas em diversos cartórios).

Espera-se que, agora, com a presença de um órgão capaz de definir regras para os diversos tribunais brasileiros e com a participação de setores que já têm experiência na integração de sistemas, o Judiciário brasileiro finalmente passe a conversar em um mesmo idioma técnico. As vantagens, quando isso acontecer, serão inúmeras: 

1. Pesquisas em todos os tribunais do País serão possíveis, tornando efetivas condenações que hoje não produzem resultados em outros estados;

2. Envio de processos (ou pelo menos das informações relevantes) de um tribunal para outro instantaneamente, sem a necessidade de se aguardar semanas ou meses para que um malote vá de um local a outro.

3. Maior controle do andamento de processos, possibilitando a órgãos internos do Judiciário, como o Conselho Nacional de Justiça ou centrais de controle de qualidade os próprios tribunais, obter informações em tempo real sobre processos de todo o País.

4. Formação de banco de dados estatísticos do Poder Judiciário, permitindo aos responsáveis pelos controles que saibam precisamente o rendimento de cada vara espalhada pelo Brasil e que mantenham dados estatísticos fundamentais para se pensar novas estratégias de melhora na prestação jurisdicional.

5. Integração do Poder Judiciário com outros órgãos, como Receita Federal, IBGE, cartórios extrajudiciais, etc. Os exemplos de benefícios da integração com outros órgãos e poderes são inúmeros, como penhoras ou indisponibilidades on-line e muito mais célere de diversos tipos de bens e direitos, abertura de empresas mais rapidamente, uma vez que a obtenção de variados tipos de certidões será mais breve.

6. Em alguns casos, a integração do Poder Judiciário brasileiro com outros agentes e atores é fundamental até mesmo para o respeito à legislação. É o caso das exigências feitas pelos diplomas Lei Complementar 118/2005 e a Nova Lei de Recuperação de Empresas (nº 11.101/2005), antiga Lei de Falências. A Lei Complementar 118/2005 faz alterações no Código Tributário Nacional, que passa a vigorar assim:

Art. 185-A. Na hipótese de o devedor tributário, devidamente citado, não pagar nem apresentar bens à penhora no prazo legal e não forem encontrados bens penhoráveis, o juiz determinará a indisponibilidade de seus bens e direitos, comunicando a decisão, preferencialmente por meio eletrônico, aos órgãos e entidades que promovem registros de transferência de bens, especialmente ao registro público de imóveis e às autoridades supervisoras do mercado bancário e do mercado de capitais, a fim de que, no âmbito de suas atribuições, façam cumprir a ordem judicial.

Ou seja, até mesmo para o cumprimento do disposto em legislação recente é necessário que o Poder Judiciário não apenas se informatize, mas que o faça pensando em padrões que permitam a integração com outros órgãos.

Artigo publicado em 2005 – BDJur – Biblioteca Digital do STJ - http://bdjur.stj.gov.br/xmlui/handle/2011/1592

Autor: Pablo de Camargo Cerdeira

June 22, 2010

IPhone, Flash e Copa

Gosto do iPhone. Em 99% do tempo o considero o melhor telefone/smart disponível.

Mas essa birra do Jobs com o Flash é brincadeira. Em plena Copa do Mundo de 2010 e não conseguimos assistir aos jogos via streaming pelo telefone.

Enquanto isso, colegas com telefones muito mais simples e baratos podem ver os jogos sem problemas.

A briga de Jobs tem até seus fundamentos, na verdade o iPhone é o aparelho ideal para medias que não sejam broadcasting, mas ainda vivemos um mundo em que boa parte das distribuições é centralizada.

Até existem opções, como o Justin.TV, mas é muito difícil encontrar uma transmissão que preste, ou que não caia caso o limite de usuários tenha sido atingido.

Pois bem, o resultado é que, pela primeira vez, estou absolutamente frustado com esse telefone.